Burnout, o mal estar no trabalho
- Elaine Simões

- há 4 dias
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O Burnout está sendo reconhecido em todas as esferas sociais, infelizmente. Ele significa um agravo à saúde relacionado ao trabalho, classificado no Brasil como Esgotamento Profissional.
O trabalho pode ser fonte de satisfação e de realização, porém em excesso, sob más condições ou em desacordo com as habilidades pessoais pode se tornar aflitivo.

Definição: o burnout foi descrito na década de 70 e refere o esgotamento emocional, a atitude insensível em relação aos beneficiados pelo trabalho além da baixa realização profissional (Simões, 2014).
O desenvolvimento do Burnout pode estar vinculado a grande número de fatores, dificilmente ocorre uma relação causal estrita e única. Isto porque ele se refere ao desajuste na relação trabalho/trabalhador. Por exemplo, o burnout pode estar relacionado a elementos do contexto ocupacional, como também aos recursos pessoais do trabalhador no desempenho de suas funções profissionais.

Infelizmente nem sempre as pessoas conseguem identificar seus próprios talentos e potenciais e acabam escolhendo uma atividade profissional que requer habilidades não
disponíveis. Nesses casos o esforço para desempenhar as atividades requeridas pode levar ao desgaste. Por exemplo, uma pessoa com dificuldade de contato pessoal pode tornar-se um profissional de saúde, entretanto na prática diária pode não se interessar pelos problemas apesentados pelos pacientes, ou até mesmo tentar evitar o contato mais próximo com os mesmos. O mal estar no trabalho pode trazer muito desconforto e sentimentos de autodepreciação, ou ainda sentimentos de revolta, até mesmo agressividade, descaso ou insensibilidade.

Por outro lado o contexto ocupacional pode ser fonte de mal-estar e dificultar o desempenho das ações profissionais independente das capacidades do profissional. Por exemplo temos acompanhado as transformações no trabalho escolar e observamos como os docentes tem sido requisitados (Simões, Cardoso, 2022). Infelizmente a categoria tendo sido alvo de depreciação salarial (levando a buscar mais vínculos de trabalho); a progressão automática permite que as crianças não sejam excluídas da escola, porém incide sobre a figura do professor, ele muitas vezes é o alvo de críticas infundadas; o ruído nos ambientes escolares também é um fator de estresse ocupacional; além das dificuldades de entrosamento e apoio entre os membros da equipe de trabalho.

O burnout e as questões que afetam a relação trabalhor/trabalho permitem entender os principais entraves envolvidos no processo de trabalho, perceber como a própria atuação pode ser modulada, ou não; buscando alcançar melhores resultados e superar as dificuldades.
Referências:
Simões, Elaine Cristina. Investigação de esgotamento físico e emocional (burnout) entre professores usuários de um hospital público do município de São Paulo [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública; 2014 [citado 2025-11-26]. doi:10.11606/D.6.2014.tde-11112014-125235
Simões EC, Cardoso MRA. Violência contra professores da rede pública e esgotamento profissional. Ciênc saúde coletiva [Internet]. 2022Mar;27(3):1039–48. Available from: https://doi.org/10.1590/1413-81232022273.28912020



