top of page

Mãe suficiente

  • Foto do escritor: Elaine Simões
    Elaine Simões
  • 12 de set.
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Olá, você já conhece o conceito de "mãe suficientemente boa"? Não!? Então pensa numa mãe que faz tudo que o filho precisa, tudo que ele pensa e tudo que ele quer. Toda mãe quer fazer tudo pelo filho, né?


E quando a criança começa a achar que a mãe tá ali pra isso mesmo? Ela chama e a mãe aparece, a criança pede e a mãe dá, a criança pensa e a mãe adivinha. Quem não gostaria de viver isso? A grande maioria de nós pode ter tido esta essa experiência mágica quando foi um bebê recém nascido. O sentimento mágico de que a solução da nossa fome e das nossas dores e ainda o aconchego do abraço são produtos de nós mesmos e não devidos a alguém, a quem chamamos de mãe.


Mãe e dois filhos: um bebê e um menino.
Mãe e dois filhos: um bebê e um menino.

Diferenciação e trauma

Mas aos poucos as coisas mudam e o bebê percebe que a mãe nem sempre está tão pertinho, nem sempre ela adivinha o que ele quer, nem sempre ela está de bom humor, às vezes pode ser que ela não esteja muito bem, com raiva ou distraída. E tem um momento em que a criança pequena vai poder perceber que se iludiu, pois achava que a mãe fosse um complemento seu, e agora precisa aceitar que isso não é real. Entendemos que esta percepção parecer ser a nossa primeira desilusão. E isso pode ser difícil, pois representa uma perda: achávamos que tínhamos tudo e de repente percebemos nossa dependência.


Independência não é solidão

Por outro lado, essa desilusão permite que nos tornemos indivíduos. Para muitos teóricos da psicologia este é um ponto crucial no desenvolvimento de uma identidade pessoal. Então o trauma também tem um lado importante: nos ajuda a sair de um tipo de bolha. Precisamos sair da ilusão, porém sem perder o sentimento de apoio de acolhimento de confiança que é fundamental.


Mulher em um mirante contemplando uma cidade ao raiar do sol.
Mulher em um mirante contemplando uma cidade ao raiar do sol.

A mãe suficientemente boa permite que o filho seja independente dela suportando que ele lide com as frustrações, que fazem parte da vida. Ao mesmo tempo ela está ali onde ele precisa se sentir seguro, amado e respeitado. Então não é sobre realizar todos os seus desejos, como um gênio da lâmpada mágica, mas sim aceitar que experimente as desilusões e as supere por si. Pois este é o nosso desafio diário e constante: discernir entre ilusão, realidade e desejo.




 
 
bottom of page